terça-feira, 29 de junho de 2010

APRENDENDO PROPAGANDA DESDE 1960

Por : Raymundo Cardoso

Desde 1960 que estou aprendendo propaganda. Após fazer uma viagem no meu passado profissional colhi uns lances porreta: Em 1973 de passagem em Vitoria com o extinto Jornal da Bahia e a revista Estados e Municípios do Rio de Janeiro, faturando para o jornal os municípios do sul da Bahia que não era simpático ao falecido ACM, pois o mesmo, durante seu governo, em cadeia de TVs falou: quem inserir alguma coisa neste jornaleco não conte com o meu governo, o jeito era buscar tutu no interior, e a revista era livre, tentei faturar a prefeitura de Vitoria e recebi um NÃO do então prefa Crisógono Cruz.

Fui apresentado ao grande Cariê e acabei ficando em Vitória por dois motivos: amarrei-me com a cidade e estava descasado, tinha que mandar a dor para aquele lugar.

O PRIMEIRO A CORES

Primeiro anuncio a cores do jornal A Gazeta, aniversário da Rua Sete de Setembro, (época de ouro) em 1987, no dia primeiro de setembro. Está arquivado.

Foram 61 lojas, desfiles de moda, de óculos, calçados e outros. A Gina Abrahão (comerciante na época) deu a maior força nos desfiles, tive o apoio do nosso amigo o ótimo Gilson Lourenço com sua equipe do setor de arte do jornal. Foram as duas páginas do meio, também tive o apoio do amigo Ernani Buaiz que na época era Relações Publica da Escelsa e cedeu a grande escada para foto feita por Gildo Loiola, que estranhou o horário, 12:30, hora de grande movimento, foi a maior confusão e teve até engarrafamento no trânsito e ouviu-se muitos com palavrões dos mais exaltados com a bagunça criada, e este era o meu objetivo afim de provocar curiosidade, altos comentários e por aí. O nosso Hélio Dórea deu a maior força, ele era o gerente comercial da Gazeta.

RADIO E TV VITÓRIA - Diários Associados, Rede Tupi. 1975

O saudoso Xerxes Gusmão era o diretor de propaganda e me admitiu como contato. Tenho guardada até hoje a carteira de contato assinada por ele.

Aproximando-se o Dia das Mães tive a idéia de fazer uma grande promoção com a a mãe mais jovem, a mais idosa, a mãe solteira, e a mãe com mais filhos.

Foram distribuídas senhas e as que tinham a senha e se enquadrassem nas exigências acima receberia brindes ofertados pelos patrocinadores que eram no total de 16. A fila estava quase na catedral, em pleno domingo e no programa extra do saudoso Nilton Gomes já que seus programas eram de segunda a sábado.

Foi uma coisa de louco, o Magno Teles e o Osvaldo Amorim não sabiam o que fazer, faltou brindes, inclusive iniciou-se um principio de quebra-quebra e foi necessário chamar a polícia pois, já tinham quebrado o vidro da portaria do Edifício Moisés na Avenida Jerônimo Monteiro. O Zanotti teve que pedir mais brindes aos patrocinadores e no final deu tudo certinho. Não posso deixar de citar a participação do grande Olívio Cabral que já não está mais entre nós


COMERCIAL NA 5 PONTES – UMA AVENTURA

Era uma produção em KROMA KEY para o cliente Rosas Moda International, era a moda chegando a Vila Velha e eu precisava da ponte vazia, lembro que o câmera era o Oliveira, da TV Gazeta.

Cheguei na guarita e falei com o chefe do posto da polícia militar que era um Sargento:

- Eu: Sargento, a ponte está para cair, é o boato por ai, precisamos dela vazia.
- O sarja indaga: A esta hora? (entrei com o papo de que iríamos fazer uma entrevista com ele).
- O sarja vaidoso pergunta: estou barbudo?
- Eu lhe respondi na hora: Tá legal meu bom sarja. Ele empolgado manda os soldados fecharem a ponte para dar a entrevista.

Foi o maior rebu, eram 14 horas de uma sexta-feira, altas broncas, buzinas por todos os lados, e como é que é? Foram 45 minutos de fechamento da ponte e só não aconteceu a entrevista, em seu lugar entrou a claquete: Rosa Vila Velha.


O GUINDASTE

A onda era o guindaste que vinha e tirava do navio um caixote grande “digdigdigdig” quando chegava ao piso “TUMMMMM”, explodia e apareciam os manequins dançando. Era a moda chegando em Rosas Moda.

Fui obrigado a assinar um termo de responsa, pois, era na época da ditadura militar e tinha federal por todos os cantos, um verdadeiro exército de olheiros, o nosso Judson com o lápis batendo nos dentes estava pálido e tremia como vara verde. Era o receio de não dar certo, ele era o gerente da Central de Produção de Comerciais da Gazeta, a CPC, mas no final deu tudo certinho e o nosso Judson ficou vermelhão, mas de satisfação. O guindaste foi uma gentileza do Dr.Jacob Ayub, à época o presidente da
Codesa . A claquete foi: Rosas Caixote. Tenho até hoje o arquivo da TV Gazeta em VHS.




SE NÃO TIVER RETORNO NÃO PAGA

A ÓTICA

O anunciante deste episódio tem hoje 7 lojas, é uma Ótica. Fiz um trato de assinar por ele, como desafio, porque ele achava que propaganda era supérfluo.

A peça era um jogo de três slides a ser veiculados no horário nobre. Já no segundo dia de veiculação ele me ligou às 22.30 horas e disse: Cardoso, propaganda é um negócio sério, não temos tempo nem de almoçar, passe aqui amanhã. Passei e assinamos um contrato com duração de um de ano.

Estão comigo há 28 anos, já nos separamos três vezes, é namoro antigo estamos firme.

O SUPERMERCADO

O cliente liga preocupado e me diz: Cardoso o comercial vai entrar a noite e a oferta do jogo de panelas já acabou, o que é isto?

Foi o que aconteceu com o supermercado: a bonificação, pela regra, é inserida após a programação, mas dessa vez a boni entrou a tarde no “vale apena ver de novo” , pois, foi o único encaixe para este dia.

Deu no que deu, o anunciante teve que arrumar 2 caminhões de ultima hora com os produtos, e os cliente fizeram reservas.
Obs: o meu contato de apoio na TV Gazeta era a Angélica.


HOMÓFONA*

Perguntei ao meu amigo cliente qual das lojas era a lanterninha de vendas, disse-me ele ser a da General Osório.

Então comecei a pensar como atrair o cliente. Lembrei-me das palavras homófonas e taquei no endereço da loja,em destaque, Osório com Z. Tinha gente que chegava para comprar e perguntavam se Osório era com Z ou com S. Deu certo, morou?
Esta papelaria ganhou em 2009, pela sexta vez, o prêmio Recall da Gazeta.

* palavras de pronúncias iguais.


MUTIRÃO DA ECONOMIA

Foi na época do Sarney, a inflação alta, as vendas baixas. Como estava em moda os mutirões, bolei então o mutirão da economia. Os lojistas unidos no combate a inflação afim de incrementar as vendas em curto prazo, desenvolvendo o mercado consumidor que na época se encontrava em franca expectativa.
Era um cooperativado de lojas da Rua General Osório, quando lá tinha muitos estabelecimentos de confecção e guarnição. NO ALVO!!!

Fiz então a viagem nas ruas Pinto Paca, Expedito Garcia e em Vila Velha. Foi um tal de botar pra fora os encalhes na TV Gazeta que vocês nem imaginam.

Também tenho em VHS esse arquivo da TV Gazeta, o cameramen Oliveira lembra dessa história e deve ter arquivo na TV gazeta.

Sou Soteropolitano, vou a salvador 2 ou 3 vezes por ano para rever amigos da velha guarda como também meus familiares, e numa roda, entre papos e goles comentei sobre os mutirões. Tempos depois, apareceu Liquida Salvador e por aí.


O INÍCIO

Comecei no jornal A TARDE de Salvador, o meu mestre foi CLODOMIRO DE CASTRO, diretor comercial e professor, também havia um anexo da igreja de São Francisco nos fundos que dava para a Baixa dos Sapateiros editora e livraria da igreja, no comando o professor de propaganda Frei Gaudêncio, eu freqüentava as aulas que eram 3 vezes por semana com 2 horas de duração cada. Então fiquei cercado de mestres, o frei ofertou-me o primeiro livro escrito e editado em português, que é o resumo do curso por ele ministrado e tenho guardado até hoje, como guardei também o dicionário da propaganda ofertado pela NESTLÈ e o livro Elementos da Propaganda escrito pelo Caio Domingues, é uma jóia rara.

O Brasil ainda começava a andar na propaganda. Sou do tempo que se escrevia MIDIA com E, a grafia usada era MEDIA.

Fui “media” em boas agências e a minha função era contatos com os veículos, para a compra de espaços e por aí.

A Nestlé e a Igreja davam muita força nesta área, a maior agência de propaganda é o Vaticano, sempre.

Trabalhei comoi media das agencias: Chama Propaganda, fundada pelos irmãos Brin Filho e Lia Mara, hoje a Chama é de J. Randam. Passei também pela Maricesar do Elias Sobrinho, a Ética pertencente aos Meira e Aguiar, depois voltei para a Chama que havia juntado com a JS gravadora, e o nosso Gilberto Gil era quem bolava os jingles, era uma onda!

Os honorários de Agência eram de 16,75%, a profissão não era regulamentada, foi criada pela lei 4.680 de 18 de junho de 1965.

Passamos a existir graças ao regime militar, foi uma das coisas boas da época como também foi a extensão do mar territorial para 200 milhas náutica, onde está o nosso petróleo, morou?
Na minha época a grande PROPEG do Rodrigo Sá Meneses estava nascendo, também tive a minha falecida agencia EUREKA isto mesmo! Eureca com K.

È pena que somente 2 laudas e meia não dá para eu me exibir, ta? Tenho muita historias que dão até pra dormir.

Não lapidei o escrito, tá? Neste momento, 3 horas da matina, com uns uísques na cabeça posso ter esquecido algo, peço aos nossos companheiros que não reparem e se acharem algum erro, lapidem ta? Vou apagar.

OBS 1: Que tal em vez de reclame, CHAMARIZ???

OBS 2:Tenho todos os documentos dando veracidade da minha bagagem .

Raymundo Sá Cardoso, Vitória, ES, 05/06/2009

Um comentário:

  1. ola gente boa noit,
    gostaria de saber se vcs lembram uma propaganda dos anos 80 q falava do exodo rural no ES e tinha uma musica muito bonita q marcou muito...

    "ouvi um moço dizendo em ir pra cidade, mas ele nao sab da grande dificuldade. aqui se planata, aqui se colhe, nossa mesa é tao farta..."

    SE alguem souber como consigo o video da propaganda ficarei grata.

    adriana

    ResponderExcluir